Esta reportagem de Marcos Losekann, ontem no Jornal Nacional (ver o post acima), chamou minha atenção. Ela mostrou resumidamente como funciona o parlamento sueco, uma das casas legislativas mais transparentes e rigorosas da Europa, e, creio, do mundo.
Confesso: senti uma “baita inveja” dos suecos.
Parece-me que a regra geral daquele parlamento é que ele é realmente composto por homens públicos sérios, conscientes e responsáveis no que se refere ao trato da RES PÚBLICA (como sinônimo de interesse/negócio público. A Suécia é uma monarqia parlamentarista). Os deputados suecos não costumam orquestrar manobras mirabolantes, não alegam nenhum tipo de problema de segurança nacional, quando têm que prestar contas de todos os seus atos públicos (e privados!!) perante a sociedade que os elegeu como representantes.
Quando observamos e estudamos a senioridade de democracias como a da Suécia, com um alto nível de institucionalização de seus aparelhos estatais, profunda educação política da seu povo, os quais são os verdadeiros zeladores dos valores e princípios democráticos do seu país, fica fácil perceber quão infantil e prematura é a nossa democracia e a nossa república. Nada avançamos nas últimas décadas? Creio que muito timidamente sim. Mas como temos uma sociedade altamente desqualificada e deseducada, politicamente falando, nossa democracia cresce, ou melhor, eleva-se na velocidade de preguiça escalando árvore (como a simpática da foto ao lado). Isso quando ela não pausa a subida, ou não retrocede a escalada, como temos assistido nestes últimos 8 anos… A preguiça brasileira, esse animal nativo e ainda comum por aqui, é um perfeito símbolo da nossa república democrática.
Mas, para além da inveja, bate também uma “baita vergonha” por causa dos, e no lugar de, nossos políticos óleo-de-peroba e da nossa sociedade indulgente e indolente. Notem o “escândalo” citado na reportagem da deputada que foi solenemente defenestrada do parlamento: não conseguiu se reeleger. E por que? Ora, “apenas” porque seu eco-discurso político, correto e engajado não verificou-se no seu mau costume parlamentar. É o clássico “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”. Os suecos não perdoaram esse “nhem-nhem-nhem” e mostraram a porta da rua para ela. Alguém consegue imaginar o nosso povo brasileiro, que não desiste nunca, oferecendo um “tratamento” deste nível aos nossos nobres parlamentares? Acho que não. Não temos este tipo de escâdalos por aqui né? rsrs…
É senhores, amigos [e]leitores deste blog, ainda faltam muitos paus para essa canoa flutuar… E aí? Vocês acham que nosso parlamento chega lá? Hummm… nem vou comentar o tema do nepotismo, também citado na reportagem, que simplesmente NÃO existe por lá! E não é por haver lei que proiba tal prática!! Chega a ser incompreensível para nossa cultura de macunaíma, não?
Por mais boa vontade que eu tenha, não consigo imaginar portentos da nossa política atual, verdadeiros monumentos, pessoas INCOMUNS da nossa história, excelências como Sarney, Lula (que foi parlamentar…), Temer, Renan Calheiros, Collor, Romero Jucá, Wellington Salgado, Paulo Duque, Mercadante, Eduardo Azeredo, Waldemar Costa, José Genoino, entre outros finos exemplares da nossa gloriosa Casa (do Espanto) Legislativa, enquadrando-se dentro de regras genuinamente democráticas, transparentes e civilizadas, como estas da Suécia. Quantos destas espécies citadas acima conseguiriam se reeleger por lá? Respondo: ZERO, nenhuma! Com certeza, alguns exemplares acima nem completariam seus mandatos…hehe.
É… é coisa de outro mundo mesmo, bem distante das republiquetas de bananas…
Ai que inveja dos suecos…
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