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Aécio Neves: carta de desistência da pré-candidatura

18 dezembro, 2009 Deixe um comentário

Leiam abaixo a íntegra da carta de Aécio Neves, governador de Minas Gerais, onde anuncia sua desistência de ser candidato presidencial pelo PSDB no ano que vem.

Belo Horizonte, 17 de dezembro de 2009.

Presidente Sérgio Guerra,

Companheiros do PSDB,

Há alguns meses, estimulado por inúmeros companheiros e importantes lideranças da nossa sociedade, aceitei colocar meu nome à disposição do nosso partido como pré-candidato à Presidência da República.

Como parte desse processo, defendi a realização de prévias e encontros regionais que pudessem levar o PSDB a fortalecer a sua identidade e integridade partidárias.

Assim o fiz, alimentado pela crença na necessidade e possibilidade de construirmos um novo projeto para o país e um novo projeto de País.

Defendi as prévias como importante processo de revitalização da nossa prática política. Não as realizamos, como propus, seja por dificuldades operacionais de um partido de dimensão nacional, seja pela legítima opção da direção partidária pela busca de outras formas de decisão. Ainda assim, acredito que teria sido uma extraordinária oportunidade de aprofundar o debate interno, criar um sentido novo de solidariedade, comprometimento e mobilização, que nos seriam fundamentais nas circunstâncias políticas que marcarão as eleições do ano que vem.

A realização dos encontros regionais foi uma importante conquista desse processo. O reencontro e a retomada do diálogo com a nossa militância, em diversas cidades e regiões brasileiras, representaram os nossos mais valiosos momentos. A eles se somaram outros encontros, também sinalizadores dos nossos sonhos, com trabalhadores, empresários e outros setores da nossa sociedade.

Ouvindo-os e debatendo, confirmei a percepção de um País maduro para vivenciar um novo ciclo de sua história. Pronto para conquistar uma inédita e necessária convergência nacional em torno dos enormes desafios que distanciam nossas regiões umas das outras, e em torno das grandes tarefas que temos o dever de cumprir e que perpassam governos e diferentes gerações de brasileiros.

Ao apresentar o meu nome, o fiz com a convicção, partilhada por vários companheiros, de que poderia contribuir para uma construção política diferente, com um perfil de alianças mais amplo do que aquele que se insinua no horizonte de 2010. E as declarações de líderes de diversos partidos nacionais demonstraram que esse era um caminho possível, inclusive para algumas importantes legendas fora do nosso campo.

Defendemos um projeto nacional mais amplo, generoso e democrático o suficiente para abrigar diferentes correntes do pensamento nacional. E, assim, oferecer ao país uma proposta reformadora e transformadora da realidade que, inclusive, supere e ultrapasse o antagonismo entre o “nós e eles”, que tanto atraso tem legado ao País.

Devemos estar preparados para responder à autoritária armadilha do confronto plebiscitário e ao discurso que perigosamente tenta dividir o País ao meio, entre bons e maus, entre ricos e pobres. Nossa tarefa não é dividir, é aproximar. E só aproximaremos os brasileiros uns dos outros, através da diminuição das diferenças que nos separam.

O que me propunha tentar oferecer de novo ao nosso projeto, no entanto, estava irremediavelmente ligado ao tempo da política, que, como sabemos, tem dinâmica própria. E se não podemos controlá-lo, não podemos, tampouco, ser reféns dele…

Sempre tive consciência de que uma construção com essa dimensão e complexidade não poderia ser realizada às vésperas das eleições. Quando, em 28 de outubro, sinalizei o final do ano como último prazo para algumas decisões, simplesmente constatava que, a partir deste momento, o quadro eleitoral estaria começando a avançar em um ritmo e direção próprios, e a minha participação não poderia mais colaborar para a ampla convergência que buscava construir.

Durante todo esse período, atuei no sentido de buscar o fortalecimento do PSDB.

Deixo a partir deste momento a condição de pré-candidato do PSDB à Presidência da República, mas não abandono minhas convicções e minha disposição para colaborar, com meu esforço e minha lealdade, para a construção das bandeiras da Social Democracia Brasileira.

Busco contribuir, dessa forma, para que o PSDB e nossos aliados possam, da maneira que compreenderem mais apropriada, com serenidade e sem tensões, construir o caminho que nos levará à vitória em 2010.

No curso dessa jornada, mantive intactos e jamais me descuidei dos grandes compromissos que assumi com Minas, razão e causa a que tenho dedicado toda minha vida pública.

Ao deixar a condição de pré-candidato à Presidência da República, permito-me novas reflexões, ao lado dos mineiros, sobre o futuro.

Independente de nova missão política que porventura possa vir a receber, continuarei trabalhando para ser merecedor da confiança e das melhores esperanças dos que partilharam conosco, neste período, uma nova visão sobre o Brasil.

É meu compromisso levar adiante a defesa intransigente das reformas e inovações que juntos realizamos em Minas e que entendemos como um caminho possível também para o País. Continuarei defendendo as reformas constitucionais e da gestão pública, aguardadas há décadas; a refundação do pacto federativo, com justa distribuição de direitos e deveres; e a transformação das políticas públicas essenciais, como saúde, educação e segurança, em políticas de Estado, acima, portanto, do interesse dos governos e dos partidos.

Devo aqui muitos agradecimentos públicos.

À direção do meu partido e, em especial, ao senador Sérgio Guerra pelo equilíbrio e firmeza com que vem conduzindo esse processo.

Aos companheiros do PSDB, pelas inúmeras demonstrações de apoio e confiança.

Manifesto a minha renovada disposição de estar ao lado de todos e de cada um que julgar que a minha presença política possa contribuir, seja no plano nacional ou nos planos estaduais, para a defesa das nossas bandeiras.

Aos líderes de outras legendas partidárias, pela coragem com que emprestaram substantivo apoio não só ao meu nome, mas às novas propostas e crenças que defendemos nesse período.

Nos reencontraremos no futuro.

A tantos brasileiros, pelo respeito com que receberam nossas ideias.

E a Minas, sempre a Minas e aos mineiros, pela incomparável solidariedade.

Aécio Neves

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Lula beatificado nas telas

1 dezembro, 2009 Deixe um comentário
Filme ”é uma baita mentira”
Por Julia Dualibi e Ricardo Brandt, no Estadão

 

Personagem no filme Lula, o Filho do Brasil, o sindicalista aposentado Paulo Vidal criticou o longa de Fábio Barreto, ao afirmar que o retrato histórico é "mentiroso" e tenta "mitificar" o presidente Lula. Após assistir à pré-estreia sábado, em São Bernardo do Campo, Vidal, que presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos antes de Lula, disse que o filme depõe contra a realidade. "O retrato da inserção de Lula no universo sindical é uma baita de uma mentira que não tem cabimento", afirmou.

Presidente do sindicato entre 1969 e 1975, Vidal no filme é Cláudio Feitosa, um sindicalista pelego que não representa a categoria e flerta com a ditadura. Feitosa é posto contra a parede por um Lula, ainda diretor, que exigia ser o sucessor. O ator que interpreta Lula chega a dar um soco na mesa. "Foi totalmente diferente", afirmou. "Entrar na minha sala e ditar regra? Mentira. Eu fiz o Lula presidente do sindicato. E não ele foi lá e ditou regra", completou.
Segundo Vidal, "qualquer um pode prestar a homenagem que quiser, mas na parte sindical o Lula não era aquele que foi retratado".

[Link da reportagem aqui…]

 

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Operação Caixa de Pandora envolve Governo Arruda no DF

27 novembro, 2009 Deixe um comentário

Governo do DF exonera secretário que delatou suposto esquema de corrupção

Do portal G1

Durval Barbosa colaborou com a PF em troca de delação premiada.
GDF exonerou outros 4 membros do governo investigados pela PF.

A assessoria do Governo do Distrito Federal anunciou nesta sexta-feira (27) a exoneração do secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que denunciou um suposto esquema de repasse de dinheiro a aliados do GDF em troca dos benefícios da delação premiada.

Além de Barbosa, foram exonerados o chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, o secretário de Educação, José Luiz Valente, o chefe de gabinete de Arruda, Fábio Simão, e o assessor de imprensa do governador, Omézio Pontes. Todos são investigados pela Polícia Federal.

Nesta sexta, a PF, por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ), realizou mandados de busca e apreensão na residência oficial do governador do DF, José Roberto Arruda (DEM), e em gabinetes de deputados da Câmara Legislativa.

A Polícia Federal usou 150 agentes na Operação Caixa de Pandora e apreendeu R$ 700 mil, US$ 30 mil e 5 mil euros em dinheiro durante as buscas realizadas nesta sexta-feira (27) em Brasília, Goiânia e Belo Horizonte. Além disso, foram apreendidos computadores, mídias e documentos. Segundo a PF, o material será analisado e posteriormente enviado ao STJ. A Polícia Federal também fez buscas em casas e gabinetes de secretários do governo, de deputados distritais e em empresas.

A PF não informou se o dinheiro foi apreendido em apenas um dos locais de buscas. No total, os mandados de busca e apreensão eram para 21 pontos no Distrito Federal, dois em Belo Horizonte e um em Goiânia.

[Leia íntegra aqui…]

 

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É a economia, estúpido!

26 novembro, 2009 Deixe um comentário

Goldman Sachs diz que real é a moeda mais valorizada do mundo

Da Agência Reuters, via UOL

O real se converteu na moeda mais valorizada do mundo devido a uma crescente "muralha de dinheiro" que tem compensado os esforços do governo para conter a valorização, afirmou na quarta-feira o banco Goldman Sachs.

Os investimentos líquidos de portfólio mensais atingiram a assombrosa cifra de US$ 17,6 bilhões  em outubro, saltando do intervalo de entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões registrado desde março, quando os mercados financeiros começaram a se recuperar, afirmou a instituição.

Em 2007 e 2008, antes da crise do Lehman Brothers, o país atraía cerca de US$ 3,3 bilhões em investimentos mensais.

O Brasil estabeleceu um imposto financeiro de 2% sobre os investimentos estrangeiros em ações e renda fixa e um imposto de 1,5% sobre as operações realizadas com ADR de empresas brasileiras.

Embora os impostos inicialmente ajudaram a estabilizar os investimentos, "há indicações de que as pressões de valorização estão em alta de novo", disse o economista da Goldman Sachs Thomas Stolper em um relatório.

"Isso incrementa a pressão para implementar uma mescla de políticas mais coerentes ou, alternativamente, existe um risco crescente de que medidas adicionais têm de ser implementadas para frear os ingressos de capital", acrescentou.

(Reportagem de Walter Brandimarte)

Fonte: UOL Economia


[Res Publicano]:
Está se falando de investimentos em bolsa. Os investimentos de capital (máquinas, equipamentos, fábricas, etc.) estão em queda e são bem menores quando comparados a esta “muralha de dinheiro” na bolsa. Por quê a muralha? É a economia, estúpido! (Nada pessoal, é só uma expressão de efeito, rsrs) Ora, a imagem da economia brasileira está bem na foto aos olhos dos agentes econômicos externos, no contexto da crise mundial. Num cenário de “poucos portos seguros” na turbulência financeira mundial, o Brasil se apresenta como um dos poucos emergentes atraentes ao capital estrangeiro desesperado e órfão das economias desenvolvidas. Será que ficará aqui por longo tempo? Só a Mãe Diná e alguns economistas sabem…

Resultado: dólar fraco, real fortalecido. O que pode se tornar um problema mais sério para nosso comércio exterior se o governo nada fizer. Mantega até que tentou e mirou o “bicho”, mas o tiro passou longe e não conseguiu acertar (no surprise…) ao tentar diminuir o fluxo de entrada de recursos externos, via colocação de “pedágio” nas aplicações financeiras. O real ainda valoriza-se, a muralha ainda cresce e já faz alta sombra na cabeça do ministro. Espera-se o anúncio de outro “tiro certeiro” para preservar as contas do país por aqui…

 

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Parlamento sueco dá exemplo de transparência

24 novembro, 2009 Deixe um comentário

Leiam abaixo o prompter da reportagem veiculada na edição de ontem, dia 23/11, no Jornal Nacional. Meus comentários no post abaixo!

Do site do JN no portal G1

 

A casa preserva a tradição de liberdade absoluta de informação. Qualquer cidadão tem acesso aos gastos dos parlamentares, até seus extratos bancários estão disponíveis na internet.

Os escândalos com gastos do parlamento não são uma exclusividade brasileira. A Inglaterra também passou por isso em 2009. Mas existem países que seguem regras muito mais rigorosas. O enviado especial Marcos Losekann explica como isso funciona, por exemplo, na Suécia.

Cercado de água: assim é o parlamento sueco, localizado em uma das muitas ilhas que formam a cidade de Estocolmo. Mas essa geografia não impede os caminhos da democracia.

Desde 1766, a casa preserva a tradição de liberdade absoluta de informação. Qualquer cidadão tem acesso aos gastos dos parlamentares. A chefe do controle acredita que uma pessoa pública não tem o direito de esconder nada dos eleitores. Por isso, até os extratos bancários dos parlamentares estão disponíveis na internet.

Um jornalista diz que a transparência não tira o mérito da imprensa. “Temos outros tipos de escândalos”, ele explica. “Por exemplo, o caso de uma deputada que pregava o uso de transporte público e de bicicleta para proteger o meio-ambiente e que, no entanto, usava mais táxi do que qualquer cidadão comum. O escândalo impediu a reeleição dela”.

Cada um dos 349 deputados suecos possui um gabinete para trabalhar dentro do parlamento, mas eles não têm seus próprios funcionários. Todos os assessores parlamentares trabalham para os partidos. E os deputados contam com o apoio desses assessores, no máximo, 30 por legenda. E o mais importante: não há um caso sequer de nepotismo. Apesar de não existir uma lei que proíba, nenhum deputado sueco emprega parentes no parlamento.

“Não preciso mais do que isso para trabalhar” diz o parlamentar, orgulhoso de seu gabinete de apenas 22 metros quadrados. Ele conta que recebe um salário equivalente a R$ 12 mil por mês. Além disso, despesas comprovadamente ligadas ao exercício do mandato são reembolsadas, inclusive passagens de trem ou avião para os municípios de origem. Mas só os parlamentares têm esse direito, parentes, não.

Os deputados do interior, inclusive os que são ministros de Estado, moram em apartamentos funcionais com 50 metros quadrados. A própria sala serve de quarto. “A gente está aqui para trabalhar”, explica o inquilino. “A kitinete é apenas para dormir de segunda à sexta. Os fins de semana passamos com a família”. Segundo ele, quem quiser trazer os parentes, deve pagar pela hospedagem. Vida dura essa de deputado? Na Suécia, ninguém reclama.

[Veja aqui link com o vídeo da reportagem…]

 

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Parlamento sueco: ai que inveja…

24 novembro, 2009 Deixe um comentário

Esta reportagem de Marcos Losekann, ontem no Jornal Nacional (ver o post acima), chamou minha atenção. Ela mostrou resumidamente como funciona o parlamento sueco, uma das casas legislativas mais transparentes e rigorosas da Europa, e, creio, do mundo.

Confesso: senti uma “baita inveja” dos suecos.

Parece-me que a regra geral daquele parlamento é que ele é realmente composto por homens públicos sérios, conscientes e responsáveis no que se refere ao trato da RES PÚBLICA (como sinônimo de interesse/negócio público. A Suécia é uma monarqia parlamentarista). Os deputados suecos não costumam orquestrar manobras mirabolantes, não alegam nenhum tipo de problema de segurança nacional, quando têm que prestar contas de todos os seus atos públicos (e privados!!) perante a sociedade que os elegeu como representantes.

Esta é a democracia brasileira subindo a todo vapor...Quando observamos e estudamos a senioridade de democracias como a da Suécia, com um alto nível de institucionalização de seus aparelhos estatais, profunda educação política da seu povo, os quais são os verdadeiros zeladores dos valores e princípios democráticos do seu país, fica fácil perceber quão infantil e prematura é a nossa democracia e a nossa república. Nada avançamos nas últimas décadas? Creio que muito timidamente sim. Mas como temos uma sociedade altamente desqualificada e deseducada, politicamente falando, nossa democracia cresce, ou melhor, eleva-se na velocidade de preguiça escalando árvore (como a simpática da foto ao lado). Isso quando ela não pausa a subida, ou não retrocede a escalada, como temos assistido nestes últimos 8 anos… A preguiça brasileira, esse animal nativo e ainda comum por aqui, é um perfeito símbolo da nossa república democrática.

Mas, para além da inveja, bate também uma “baita vergonha” por causa dos, e no lugar de, nossos políticos óleo-de-peroba e da nossa sociedade indulgente e indolente. Notem o “escândalo” citado na reportagem da deputada que foi solenemente defenestrada do parlamento: não conseguiu se reeleger. E por que? Ora, “apenas” porque seu eco-discurso político, correto e engajado não verificou-se no seu mau costume parlamentar. É o clássico “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”. Os suecos não perdoaram esse “nhem-nhem-nhem” e mostraram a porta da rua para ela. Alguém consegue imaginar o nosso povo brasileiro, que não desiste nunca, oferecendo um “tratamento” deste nível aos nossos nobres parlamentares? Acho que não. Não temos este tipo de escâdalos por aqui né? rsrs…

É senhores, amigos [e]leitores deste blog, ainda faltam muitos paus para essa canoa flutuar… E aí? Vocês acham que nosso parlamento chega lá? Hummm… nem vou comentar o tema do nepotismo, também citado na reportagem, que simplesmente NÃO existe por lá! E não é por haver lei que proiba tal prática!! Chega a ser incompreensível para nossa cultura de macunaíma, não?

Por mais boa vontade que eu tenha, não consigo imaginar portentos da nossa política atual, verdadeiros monumentos, pessoas INCOMUNS da nossa história, excelências como Sarney, Lula (que foi parlamentar…), Temer, Renan Calheiros, Collor, Romero Jucá, Wellington Salgado, Paulo Duque, Mercadante, Eduardo Azeredo, Waldemar Costa, José Genoino, entre outros finos exemplares da nossa gloriosa Casa (do Espanto) Legislativa, enquadrando-se dentro de regras genuinamente democráticas, transparentes e civilizadas, como estas da Suécia. Quantos destas espécies citadas acima conseguiriam se reeleger por lá? Respondo: ZERO, nenhuma! Com certeza, alguns exemplares acima nem completariam seus mandatos…hehe.

É… é coisa de outro mundo mesmo, bem distante das republiquetas de bananas…

Ai que inveja dos suecos…

 

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Como perder eleições (ou “Já vi esse filme”)…

21 novembro, 2009 Deixe um comentário

A Desconstrução de Serra

 
Por Ruy Fabiano (via Blog do Noblat)

PSDB e DEM protagonizam um comportamento inusitado em matéria de sucessão presidencial.

Possuem o candidato mais cotado nas pesquisas – o governador José Serra -, mas, em vez de incensá-lo, empenham-se inversamente em desconstruí-lo.

Serra, há mais de um ano, é o líder isolado nas pesquisas, com índices médios em torno de 40%, que representam mais que a soma de seus adversários, incluindo o tucano Aécio Neves.

Mas, mesmo assim, não sabe se será o escolhido para enfrentar Dilma Roussef.

O PT, ao contrário, diante de uma candidata com dificuldades notórias de decolar, absorve suas contrariedades internas e a apóia incondicionalmente.

Não surgiu até aqui – e é improvável que surja – algum nome alternativo à ministra dentro do partido ou da base governista. É a candidata de Lula e ninguém mais a discute. Trabalha-se por ela – e como.

Aécio Neves, além de insistir em disputar com Serra, alia-se a um dos maiores críticos do PSDB, o deputado Ciro Gomes (PSB), que não perde a oportunidade de repetir que o país deve aos tucanos um dos piores governos de sua história, o de FHC.

E acusa Serra de defeitos ainda piores que os do ex-presidente.

Apesar disso, Aécio oferece-lhe palanque privilegiado e ainda diz que, se vitorioso, quer tê-lo como parceiro. É uma equação complicada, que Aécio ainda não explicou – e não se sabe se terá como fazê-lo.

Todas as explicações que deu até aqui apenas complicam ainda mais a situação.

Como se não bastasse, o presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, veio a público criticar Serra, manifestar sua preferência por Aécio. Seu pai, o ex-prefeito do Rio, César Maia, candidato ao Senado, faz-lhe coro, argumentando na mesma linha do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, que Aécio agrega mais alianças que seu oponente paulista.

E ainda: que Serra é um caudilho, ao querer impor ao partido seu próprio cronograma.

Lula não faria melhor, já que não dispõe da isenção crítica que somente os correligionários têm. Serra mantém-se em silêncio obsequioso. Não reage às críticas, nem antecipa sua decisão de candidatar-se.

Mas, se está calado, não está mudo. Reage nos bastidores, manifestando seu incômodo.

[Leia mais aqui…]

Ruy Fabiano é jornalista

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Mainardi e o controle “frankliniano” da imprensa

14 novembro, 2009 Deixe um comentário

Porky’s contra a liberdade

Da coluna de Diogo Mainardi (VEJA)

A cada dois anos, o ‘subperonismo lulista’ cria uma sigla para controlar a imprensa. Atacando em duas frentes: editorial e comercial. A imprensa, de bombardeio em bombardeio, de anúncio em anúncio, de chantagem em chantagem, amedronta-se e domestica-se”

Lula tem de parar de alisar os cabelos. Em 14 de dezembro, ele inaugurará a Confecom. Por extenso: Conferência Nacional de Comunicação. Uma das propostas encaminhadas à Confecom pelo Conselho Federal de Psicologia é proibir a propaganda com pessoas de cabelos alisados, com o argumento de que ela pode causar “transtornos de toda ordem”, comprometendo “a integridade física e psicológica” de quem a assiste. O que dizer de Lula? O que dizer de seu cabeleireiro Wanderley?

A Confecom é igual à Ancinav. Ela é igual também ao CFJ. A cada dois anos, o “subperonismo lulista” cria uma sigla para controlar a imprensa. Atacando em duas frentes: editorial e comercial. Inicialmente, as empresas do setor concordaram em participar da Confecom. Depois, elas se deram conta da armadilha preparada por Franklin Martins e pularam fora. Só restaram entidades como CUT, Abragay e Conselho Federal de Psicologia. Que, além de proibir a propaganda com pessoas de cabelos alisados, recomenda proibir igualmente a propaganda de carros, porque “o estímulo ao transporte individual ofusca as lutas por um transporte público de qualidade” e aumenta “o número de mortes em acidentes de trânsito”.

A Ancinav fracassou. O CFJ fracassou. O que acontecerá com a Confecom? Fracassará. Mas a imprensa, de bombardeio em bombardeio, de anúncio em anúncio, de chantagem em chantagem, amedronta-se e domestica-se. Lula sabe disso. Franklin Martins sabe disso. O resultado é que, nos últimos dias, Dilma Rousseff também passou a atacar a imprensa, com aquele tom autoritário de professora de ginástica da série Porky’s, sempre com o apito na boca.

[Leia mais aqui...]

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Lula e o golpe do Mensalão

14 novembro, 2009 Deixe um comentário
Por Ruy Fabiano no O Globo (via Blog do Noblat)

Em entrevista à Rede TV!, gravada na quarta-feira, Lula voltou a fustigar Fernando Henrique Cardoso, com quem pretende polarizar os debates da sucessão do ano que vem.

Disse, ao comentar o artigo do ex-presidente, publicado há duas semanas – e que o acusa de promover um “subperonismo” no Brasil -, que ele, FHC, é “um poço de mágoas” e que tem “inveja” dele, Lula, por não ter obtido sua performance quando no governo. Nada que já não tenha sido dito antes à exaustão.

A novidade foi a reação do presidente diante de tema que lhe é profundamente incômodo: o Mensalão. Antes, limitava-se a dizer que não sabia de nada. Agora, simplesmente nega sua existência.

Diz que foi uma tentativa de golpe de Estado. Mas cai em contradição ao dizer ao repórter que, por ser presidente, não pode “ficar futucando” e só vai se inteirar “um pouco mais disso” quando deixar o cargo, a partir de janeiro de 2011.

Deixemos de lado o fato de que é dever de um presidente (e não de um ex-presidente) “futucar” tudo aquilo que diz respeito ao erário e ao interesse público.

Fiquemos na contradição: se não está inteiramente a par do que ocorreu (porque não pode ficar “futucando”), como pode afirmar que o Mensalão simplesmente não existiu?

Das duas, uma: ou não sabe o que aconteceu – e nesse caso tem que considerar a hipótese da existência concreta do Mensalão – ou sabe e, aí, sim, pode negá-lo. Mas não basta fazê-lo.

Precisa tomar providências contra o Ministério Público, que não apenas afirma a existência do Mensalão como o atribui a uma “organização criminosa”, que teria como comandante ninguém menos que o então mais próximo auxiliar do presidente, o chefe da Casa Civil, José Dirceu – demitido, aliás, exatamente em função das denúncias que o presidente hoje diz serem falsas.

O processo está no Supremo Tribunal Federal, que aceitou as evidências do que o presidente diz não ter existido e cujo propósito teria sido tão-somente derrubá-lo.

Nesse caso, é preciso responsabilizar como golpistas não apenas o Ministério Público, que fez a denúncia, como o STF, que a acolheu, além de entidades como a OAB, que chegou a examinar a hipótese de impeachment em 2006, e optou por transformá-la em notícia-crime à Procuradoria Geral da República.

Portanto, negar o Mensalão – pior: transformá-lo em manobra golpista – envolve mais que incontinência verbal: implica denunciar e punir os que engendraram a mentira.

[Leia mais aqui…]

 

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O Apagão de Lula

11 novembro, 2009 Deixe um comentário
Por Sérgio Abranches (Blog Ecopolítica)

O apagão de Lula tem origens físicas distintas e as mesmas causas políticas. O ministério foi entregue à partilha clientelista depois do episódio do mensalão. O PMDB conseguiu montar seu feudo no setor. O ministro é um sub-sistema do sistema Sarney de controle clientelístico do aparelho de estado.

Apagões têm causas físicas e determinantes políticos. Os fatores políticos que geram apagões são mau planejamento energético, clientelismo, falta de visão estratégica, atraso. Hoje, energia é sinônimo de aquecimento global e a resposta é segurança energética: sistema de interligação inteligente, com descentralização da geração, diversificação com utilização de fontes renováveis e alternativas, abandono de combustíveis fósseis na matriz elétrica.

Um incidente ainda não identificado cortou a energia em uma parte do sistema. Imediatamente, o sistema isolou aquele setor, para que o evento não se transformasse em um apagão ao afetar todo os seus outros setores. Nas principais localidades que fazem parte do setor isolado, não faltou eletricidade. Elas têm sistemas autônomos, descentralizados, de geração de energia, que usam fontes alternativas, como biogás, solar-fotovoltaica e eólica, com ramal de distribuição próprio, que o sistema reconhece como alternativo ao setor-problema e não desliga.

Isso ocorreria em um país que investe em segurança-energética, que tem um sistema inteligente de interligação elétrica (intelligent grid) e uma matriz energética descentralizada, interligada e diversificada, com fontes renováveis.

No Brasil, um incidente ainda não identificado cortou a energia em uma parte não identificada ainda do sistema e provocou um apagão em 10 estados e no Paraguai. O incidente pode ter sido climático, operacional, falha do sistema, inépcia e incompetência – geralmente relatados como “falha humana” – e pode ser tudo isso somado. O mais provável. Nenhuma localidade importante tem um sistema alternativo, com fonte renovável, porque a política energética no Brasil é centralizada e entregue, desde o governo FHC, à partilha política clientelista. Quando houve o apagão do FHC, por falta de água nos reservatórios e planejamento de segurança energética no ministério, ele colocou pessoa de sua confiança, com competência técnica e gerencial, conhecedora do setor público. Pedro Parente virou o interventor no setor elétrico. Mas a lição de que não se entrega ao clientelismo um ministério técnico, complexo e crítico para a segurança do país não foi aprendida.

O apagão de Lula tem origens físicas distintas e as mesmas causas políticas. O ministério foi entregue à partilha clientelista depois do episódio do mensalão. O PMDB conseguiu montar seu feudo no setor. O ministro é um sub-sistema do sistema Sarney de controle clientelístico do aparelho de estado. Foi nomeado sem qualquer consideração técnica ou estratégica. Lula seguiu o figurino mais tradicional possível da política brasileira.

[Leia mais aqui…]

 

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